Nem dinheiro, nem tecnologia: o que realmente trava a cirurgia ambulatorial
A expansão da cirurgia ambulatorial no Brasil não é limitada pela falta de investimentos ou pela ausência de equipamentos modernos. O modelo suíço demonstra que apenas recursos financeiros e tecnologia não transformam a eficiência dos procedimentos realizados em regime de alta. O verdadeiro obstáculo reside na forma como o sistema está organizado, nas regulamentações vigentes e nos mecanismos de remuneração dos serviços, que precisam ser reconfigurados para viabilizar essa modalidade de atendimento.
A cirurgia ambulatorial representa uma importante estratégia para reduzir custos operacionais e aumentar a disponibilidade de leitos em instituições hospitalares. Países que implementaram esse modelo com sucesso demonstram que o diferencial não está em gastar mais, mas em estruturar adequadamente os fluxos de trabalho, definir diretrizes claras sobre quais procedimentos podem ser realizados em ambiente ambulatorial e estabelecer tabelas de remuneração que incentivem essa prática. No Brasil, o segmento de saúde suplementar tem oportunidade de liderar essa transformação, alinhando suas operações e políticas de cobertura com as melhores práticas internacionais.
Para que a transição ocorra, é necessário revisar critérios regulatórios que ainda exigem internação para procedimentos que poderiam ser executados com segurança em clínicas ou centros cirúrgicos especializados. Além disso, os valores pagos por essas intervenções precisam refletir a realidade operacional, incentivando prestadores a investirem em infraestrutura e qualificação profissional específica para esse modelo. Gestores de planos de saúde, estabelecimentos de saúde e órgãos reguladores devem trabalhar em conjunto para remodelar esse cenário.
Os próximos passos envolvem diálogo entre operadoras, hospitais e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para estabelecer diretrizes compartilhadas sobre cirurgia ambulatorial. Profissionais de RH e gestores hospitalares devem estar atentos a essas mudanças, preparando suas equipes para um modelo de cuidado mais ágil e descentralizado. A oportunidade de ganho em eficiência e satisfação do paciente está disponível, mas exige decisões de gestão e regulação mais do que investimentos adicionais.
Com informações de Saúde Business.



