Brasil avança na interoperabilidade em saúde, mas ainda está longe de uma rede integrada
O Brasil experimenta progressos significativos na interoperabilidade dos sistemas de saúde, mas permanece distante de uma integração verdadeira entre as redes públicas e privadas. Projetos de lei em discussão no Congresso Nacional e iniciativas como a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), aliados a parcerias entre consórcios de hospitais privados, indicam caminhos viáveis para conectar diferentes plataformas. No entanto, esses avanços tecnológicos esbarram em desafios estruturais que vão além da infraestrutura digital.
O maior obstáculo para escalar essas iniciativas reside na falta de confiança entre as instituições de saúde e na ausência de um acordo robusto entre os entes públicos e privados. Cada organização mantém sistemas próprios, dados sigilosos e interesses comerciais distintos, o que dificulta o compartilhamento padronizado de informações clínicas e administrativas. Essa fragmentação afeta diretamente a qualidade do atendimento, pois médicos e gestores não conseguem acessar o histórico completo do paciente quando ele circula entre diferentes redes de cuidado.
Para profissionais de saúde suplementar, gestores hospitalares e equipes de TI em saúde, a consolidação de uma verdadeira rede integrada representa tanto oportunidade quanto desafio. Corretoras de planos de saúde, operadoras e prestadores privados precisam se preparar para diálogos mais intensos com órgãos reguladores e com o sistema público, antecipando normas sobre compartilhamento de dados e conformidade. Os próximos meses serão decisivos para definir qual modelo de interoperabilidade prevalecerá no país: um baseado em confiança institucional reforçada ou outro imposto por regulamentação mais rígida.
Com informações de Futuro da Saúde.