Dor crônica pode influenciar no tratamento da depressão
Especialistas alertam que uma parcela significativa de pacientes diagnosticados com depressão resistente ao tratamento pode, na verdade, estar convivendo com dor crônica não identificada, o que prejudica a resposta aos medicamentos antidepressivos. A constatação foi apresentada em artigo publicado na revista Nature Mental Health e levanta uma questão importante sobre como os profissionais avaliam e tratam a condição.
A dor crônica é uma comorbidade frequente entre pessoas com depressão e exerce impacto direto na efetividade dos antidepressivos. No entanto, essa relação não é adequadamente capturada pelos critérios diagnósticos atuais de depressão resistente, nem integrada aos questionários de avaliação mais utilizados na rotina clínica. Essa lacuna faz com que muitos pacientes recebam diagnósticos e tratamentos incompletos, pois a dor crônica é sistematicamente excluída dos estudos clínicos que fundamentam as diretrizes terapêuticas.
Para gestores de saúde pública e profissionais que atuam em ambulatórios e centros de saúde mental, essa descoberta implica na necessidade de revisar protocolos de avaliação inicial de pacientes com depressão. Incorporar questões sobre dor crônica nos processos diagnósticos pode melhorar significativamente os resultados terapêuticos, evitando prescrições desnecessárias de novos antidepressivos e direcionando o cuidado para uma abordagem mais integrada que considere tanto os aspectos mentais quanto os físicos do paciente.
Com informações de Agência Brasil.

